Falsa certeza nº 3
“Temos backup.”

Temos backup: o que essa certeza esconde e a evidência que você deveria exigir

Cena · Temos backup ▶ tocando

Gerador de energia

teste mensal · com registro
03/11 · 09:00 · carga real
12 min · assinado
próximo teste: 03/12
TESTADO

Backup

job noturno · 02:00
seg SUCESSO
ter SUCESSO
qua SUCESSO
NUNCA TESTADO

Quinta-feira, 07:40 servidor principal indisponível

restauração iniciada
00h00decorrido volume do ERP não incluído

O backup existia.
A restauração, não.

1

Todo mês, alguém testa o gerador. Com carga, cronômetro e assinatura.

Cena ilustrativa. Cada falsa certeza tem a sua.
Em uma frase

Backup só existe quando a restauração foi feita de propósito, cronometrada e documentada. Uma cópia que nunca foi restaurada é uma hipótese: pode estar corrompida, incompleta, sem o banco de dados ou tão lenta que a empresa para por dias enquanto espera. O que protege a empresa não é o backup; é a restauração comprovada.

De todas as falsas certezas, essa é a que eu mais vi custar caro. Não porque as empresas não façam backup, mas porque fazem e acreditam que está resolvido. O backup roda toda noite, o relatório chega com um “sucesso” verde, e ninguém mais pensa no assunto até o dia em que precisa.

Nesse dia, descobre-se o que o backup realmente era.

O que o relatório de “sucesso” não diz

O relatório diz que o processo de cópia terminou sem erro. Não diz se o banco de dados do ERP estava incluído. Não diz se a cópia está num lugar que o ransomware não alcança. Não diz quanto tempo leva para trazer tudo de volta, nem se alguém sabe fazer isso sob pressão. E não diz se a última cópia íntegra é de ontem ou de três meses atrás, porque o job que falha em silêncio também reporta sucesso em outro lugar.

Backup é a parte fácil. Restauração é a parte que importa, e é a que ninguém testa.

O teste do gerador

O gerador é testado com carga: alguém desliga a energia de propósito e observa se o prédio continua funcionando. É desconfortável, dá trabalho, e por isso mesmo é obrigatório. Com backup, o equivalente é restaurar de propósito: pegar um servidor, trazer de volta num ambiente separado e cronometrar. Quem faz isso descobre problemas num dia tranquilo. Quem não faz, descobre numa segunda-feira com a empresa parada.

O que costuma aparecer no primeiro teste

Em quase todo primeiro teste de restauração que eu acompanhei, algo apareceu. Um volume que não estava incluído. Uma senha de criptografia que só uma pessoa sabia, e essa pessoa saiu da empresa. Um tempo de restauração de 18 horas para um sistema que o negócio não aguenta parado por 4. Nenhum desses problemas aparece no relatório verde. Todos aparecem no teste.

A evidência que você deveria exigir

Uma única pergunta resolve: quando foi a última restauração de propósito, e quanto tempo levou? Se vier com data, sistema e tempo, você tem backup. Se vier com “o sistema reporta sucesso toda noite”, você tem um processo de cópia e uma esperança. São coisas diferentes, e a diferença só aparece no pior dia.

A pergunta que desmonta

Quando foi a última vez que alguém restaurou um arquivo de propósito, e quanto tempo levou?

Faça essa pergunta na próxima reunião. A resposta vem com data e número, ou vem com adjetivo.

O que pedir na próxima reunião

Quatro evidências. Não é desconfiança: é o mesmo critério que você já aplica ao gerador de energia.

  • Registro da última restauração de teste: o que foi restaurado, em quanto tempo e por quem
  • O que está e o que não está no backup, por sistema (servidor de arquivos, e-mail, ERP, banco de dados, máquinas dos diretores)
  • Onde a cópia fica e se ela sobrevive ao mesmo incidente que o original (ransomware, incêndio, roubo)
  • Alerta de falha de backup: quem recebe, em quanto tempo, e quantas falhas houve no último mês
“Backup não é o que você guarda. É o que você consegue trazer de volta.”
— Dorian Cosentino, série Falsas Certezas da TI

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre ter backup e ter restauração?

Backup é o processo de copiar. Restauração é o processo de trazer de volta e colocar para funcionar. Só o segundo protege a empresa, e só ele revela se a cópia estava íntegra, completa e num lugar acessível. Empresas que nunca restauraram não sabem se têm backup; sabem que têm um processo de cópia rodando.

Com que frequência o backup deve ser testado?

Restauração parcial (um arquivo, uma pasta) mensalmente; restauração completa de um sistema crítico ao menos uma vez por semestre, com o tempo medido. O número exato importa menos do que a existência do registro com data.

O backup na nuvem resolve o problema?

Resolve o problema de onde a cópia fica, não o de saber se ela volta. Backup em nuvem também falha silenciosamente, também pode excluir o que importa e também precisa de teste de restauração. A vantagem real é a separação física do original, o que protege contra ransomware e desastre local, desde que a cópia não esteja acessível pela mesma credencial.

Para ir mais fundo

Quer essa conversa na sua empresa ou no seu evento?

As sete falsas certezas viram uma palestra de 20 minutos para diretoria, associação ou evento de tecnologia.

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